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Autoconfiança combina com modéstia?

Quem nunca se vangloriou de ser modesto? “ah, eu tenho minhas habilidades, mas não fico me exibindo, não. Eu sou modesto. Isso é uma virtude.” Aprendemos em casa, na escola, na igreja, que não podemos ficar falando de nós mesmos.

Eu também achava isto, pois aprendi igualzinho a você. E, sinceramente, me dei mal várias vezes por ter “modéstia” de sobra. Perdi oportunidades valiosas por não expor minhas habilidades à profissionais que  com certeza as apreciariam. Era tão modesta que cheguei a passar clientes para colegas atenderem, quando eu mesma tinha capacidade para isto. Peraí, você deve estar perguntando, mas isto é modéstia? Não, não é. Mas tenho certeza que, como eu, muita gente já se confundiu. E vou explicar agora, para ver se não se confundem mais.


Quando ser modesto


Aprendi já há algum tempo que a modéstia não serve para tudo o que somos e fazemos. A modéstia serve para as nossas qualidades. E o que são qualidades? Ser honesto, ético, bom, simpático, caridoso, prestativo, cooperativo, bonito, elegante, divertido, romântico e assim vai.

Ninguém precisa exaltar as próprias qualidades em público. Deixe que as pessoas as percebam. Se exaltar as suas qualidades, na verdade o que aparecerão serão os defeitos – que todo mundo adora notar nos outros – a começar pela falta de modéstia (a de verdade) e arrogância.

 

Quando “ser modesto” é outra coisa


Aqui eu quero explicar aonde não devemos usar da “modéstia”. A modéstia não serve para nossas habilidades. Também não serve para os nossos “dons”, ou seja,aquelas habilidades que já existiam mesmo antes de serem estudadas ou treinadas.

Quando temos habilidades que podem nos ajudar profissionalmente, ou mesmo no convívio social, escondê-las é como dar um tiro no próprio pé. Afinal, se você sabe que é bom em algo, se depara com alguém ou um grupo que pode apreciar/ usar/solicitar o que você sabe fazer bem, qual seria o motivo de não falar?

Não me venha com  falsa modéstia, dizendo que é feio exaltar o que sabe fazer. Lembre-se, é feio exaltar suas qualidades. Não falar de suas habilidades, na verdade esconde uma informação importante: sua insegurança quanto à sua competência. Ou sua insegurança quanto ao que vão achar  ou ao que podem comentar sobre você.

 

A autoconfiança e a modéstia


Quando falamos de uma pessoa autoconfiante, falamos de alguém que conhece suas habilidades, qualidades, defeitos, fraquezas. Também sabe dar valor a cada uma de suas habilidades e usá-las em situações diferentes, novas, instigantes. Gosta de desenvolver novas habilidades também, além de trabalhar os seus defeitos para que não o atrapalhem, bem como suas fraquezas.

Concorda comigo que para um perfil destes a modéstia só pode cair bem quando usada corretamente, ou seja, em relação às suas qualidades morais e de personalidade? Qualquer outra omissão em relação à habilidades é falta de autoconfiança, ou insegurança.


Minha experiência e meus fiascos

Há 11 anos atrás eu comecei a fazer aulas de violão folk. Cordas de aço, achei que não sabia tocar com as “palhetas”, e lá fui eu para uma escola de música aqui perto de casa. Comecei a ter aulas com o dono, e falei para ele que havia anos que não tocava nada, e minha experiência era com violão com corda de nylon. Levei meu super Yamaha japonês – que foi achado num lixão japa por um amigo, inteiraço, e dado a mim há 20 anos – e comecei minhas aulas.

Dois meses depois, fiquei doente, tive Lúpus, que se manifestou como artrite em quase todas as articulações. Não podia mais tocar violão, mas continuei indo às aulas, quinzenalmente, para não entrar em depressão. Ordens médicas de “mim” para “eu mesma”.

Um dos motivos de ficar doente, segundo uma terapeuta minha, era o fato de eu não fazer o que eu gostava, há anos, e achar que só devia trabalhar – a agradar os outros. Entre outras coisas, o que eu gostava  - e não fazia - incluía escrever e tocar meus instrumentos ou cantar.

Por este motivo continuei a fazer as aulas de violão, que se tornaram tardes de canto. O dono da escola comentou um dia que eu cantava bem, e entendia de harmonia musical. Foi quando eu esqueci da minha falsa modéstia – da qual havia feito uso durante aqueles últimos 15 anos – e comentei que era formada em piano, tocava violão, flauta doce, alguns instrumentos japoneses, e também era professora de canto. O homem ficou me olhando com aquela cara de “o que você está fazendo aqui????”

Vejam, como eu estava me tratando do Lúpus – e meu tratamento foi mudar o meu comportamento e minhas burrices emocionais – comecei a valorizar novamente as minhas habilidades, que estavam escondidas até então. 

Por isso larguei o medo de me julgarem (cabeça de vento, artista mambembe, porra louca, leviana, sonhadora  e outras palavrinhas que sopravam em meus ouvidos) e me joguei na vida, ou poderia morrer em pouco tempo.


Sabem o que eu ganhei não usando a “falsa modéstia”?

Os donos da escola de música, espantados com minha formação, e sabendo que eu era praticamente vizinha e desempregada -pois naquela época trabalhava com massagens terapêuticas, e com artrite não conseguia exercer a profissão- vieram falar comigo no final daquele ano de 2006, e me fizeram uma proposta: perguntaram se eu queria dar aulas de piano para crianças, a chamada alfabetização musical. Eu não precisava tocar como uma virtuose, poderia usar meu conhecimento acumulado e mofado por anos sem uso, e voltaria a trabalhar com algo que eu amava!

Ao falar com naturalidade sobre o que eu sabia fazer, ganhei mais uma motivação para melhorar. Trabalhei por dois anos na escola de música, dando iniciação ao piano e também aulas de canto. Foi lá que subi novamente num palco, e voltei a ter o gostinho de cantar para uma platéia. Saía das aulas leve, sem dor alguma no corpo, e ciente de que era uma boa profissional.

Ah! e sabe aquele violão folk? Eu nunca tive problema em tocá-lo. Ele é que tinha um defeito de fabricação, que dificultava a qualquer um de tocá-lo. Depois que ele foi consertado por um luthier, percebi que era mais fácil achar um defeito em mim, há 10 anos atrás, do que no violão!


Vamos treinar a autoconfiança e a modéstia?


Jogo rápido. Pegue aí um papel e caneta. Faça uma lista com duas colunas. Numa delas, você colocará suas qualidades. Na outra coluna, coloque suas habilidades e dons.

Agora, para reforçar, escreva ao lado de suas qualidades: “ser modesto”. Ao lado de suas habilidades, escreva: “ser autoconfiante”.


Achou muito simples o exercício? então vamos dar mais uma etapa. Escreva num outro papel cada habilidade que você tem, e deixe meia folha livre para cada uma delas. Abaixo da qualidade, escreva:

  • 1-aonde uso esta habilidade: lazer ou trabalho?
  • 2-ela serve para mim e/ou para os outros?
  • 3-ela está sendo usada ou escondida?
  • 4-quem poderia se beneficiar desta habilidade?
  • 5-aonde eu poderia oferecer esta habilidade?
  • 6-o que preciso fazer para que seja conhecida?

Aproveite para fazer sua auto-reflexão e fazer ajustes nas suas ações do dia a dia, para exercitar suas habilidades e autoconfiança em sua vida. Todos nós podemos mudar e exercitar o nosso pleno potencial. Diga “xô, falsa modéstia”, e dê novas oportunidades para si mesmo!

 




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