PRIMEIRO SEGREDO

Querelas: relacionamentos


Tudo parecia tranquilo no pequeno apartamento. Silvia tinha acabado de fazer uma pequena salada e preparar a janta para quando o noivo chegasse. Já sabia que aquela semana demandaria muita paciência da parte dela, pois Luca estava uma pilha de nervos com o novo emprego. Ela já havia passado desta fase; a loja de enfeites aonde trabalhava agora lhe permitia pagar suas contas e a faculdade. Ao resolver vir para a capital o pai deixara bem claro que daquele momento em diante tudo seria responsabilidade dela.

Ouviu o barulho de passos no corredor e, em seguida, a chave girando. A porta se abriu, e um Luca carrancudo e de passos arrastados entrou sem ao menos olhar para ela. Silvia arriscou um “boa noite, amor!”, num tom doce, mas Luca grunhiu de volta, enquanto largava sua mochila, casaco e sapatos num canto da sala minúscula. Tirou a meia na porta do banheiro e ali deixou.

Silvia respirou fundo e falou no tom mais calmo que pôde:

-“Luca, amor, não deixa as coisas assim jogadas não…”

Foi o suficiente para que ele começasse a gritar com ela.

“- Orra, Si, eu tô mega cansado!  Que merda! Não posso nem ficar à vontade aqui em casa? Me deixa!”

Silvia encolheu-se no pequeno sofá, enquanto Luca virava-lhe as costas e se encaminhava para o banheiro com a toalha na mão. Bateu a porta, ainda falando palavrões e brigando sozinho. Ela levantou-se lentamente e num movimento automático foi recolhendo a mochila, casaco, sapatos e colocando tudo em seus lugares.

De repente teve um espasmo, e sem conseguir segurar, vomitou no meio do chão da sala, até sair somente um líquido viscoso. Sua cabeça rodava. Era esta vida que queria para si?



RELACIONAMENTO SAUDÁVEL OU INTERDEPENDÊNCIA


Muitas vezes pensamos que a violência só ocorre no âmbito físico, e relevamos palavras grosseiras, portas batendo, a escravidão velada, o papel imposto sub-repticiamente em nossas relações. Mudou-se o século, mas ainda não os costumes e mentalidades arraigadas em padrões que já não servem para o mundo em que vivemos.

Quando penso hoje numa relação amorosa, não consigo mais imaginar a relação de servilismo que fazia parte do cotidiano feminino ante o seu “homem”. Na verdade, gosto de pensar que uma relação amorosa são duas pessoas saudavelmente buscando seus caminhos particulares de satisfação pessoal, e que resolvem compartilhar suas vidas um com o outro por ser divertido e enriquecedor estarem juntos.


Interdependência emocional


Aprendi -com o passar dos anos e muita PNL na veia- que relações baseadas em interdependência emocional só servem para machucar e frustrar. Para que príncipes  e princesas se tornem ogros só é necessário que se olhem finalmente sem os filtros da ilusão que faziam o relacionamento ser “perfeito”. Para o “amado” ou “amada” tornar-se insuportável basta que ele ou ela demonstrem que sua felicidade está totalmente dependente de atitudes de atenção do parceiro.

Não existe relacionamento perfeito. Existem bons relacionamentos, aonde companheiros crescem juntos, e incentivam-se um ao outro para darem o melhor de si mesmos. Nestes bons relacionamentos há, inclusive, espaço para que cada um respire um pouco, e se afaste para compromissos particulares. Afinal, tem quem goste de galeria de arte e quem goste de futebol, por exemplo, e ninguém precisa ficar atrelado ao outro para mostrar que existe amor.


Respeito mútuo e responsabilidade idem

Num mundo aonde ambos os sexos trabalham, deveria ser natural que ambos participassem da manutenção de seu espaço de convivência mútua, a que chamamos de CASA. Num mundo aonde todos querem ser descolados, modernos e terem relações livres, deveria ser normal a auto-suficiência para manter o espaço de convivência aceitavelmente agradável, limpo e arrumado.

Num mundo aonde tantos arrotam independência, seria realmente adorável se todos se responsabilizassem por seus próprios erros, atos, palavras e manutenção, e parassem de culpar os outros, ou à vida, o emprego, o mundo e deus por sua própria inépcia em se auto-gerir.

Quando estas coisas básicas não acontecem, Silvias e Lucas continuam projetando papéis antigos em seu parceiros, aceitando serem subjugados para obterem a migalha de amor que precisam para sentirem que estão vivos,  adoecendo e vomitando literalmente tudo o que o corpo e o espírito não aceitam mais e nem conseguem processar.

E você, ainda precisa disso?




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