PRIMEIRO SEGREDO

Saudade não! (ou como lidar com a saída dos filhos de casa)

Quando era pequena, eu usava a expressão “minha filha” para ela. Era emburrada, não sorria para todo mundo, fiel aos amigos desde muito novinha. Gostava de se vestir de fantasia, ou vestidos de princesa.


Quis sua primeira mecha de cabelo - cor de rosa - como presente de aniversário de sete anos. Sempre gostou de pintar unha. 


adolescente


Não gostava de calçar 34 e ter 1 metro e 53 de altura, e pensou que viveria de salto alto. Quando achei que havia criado uma menina mimada, jogou todas as roupas cor-de-rosa e os saltos altos, e começou a usar preto e cinza.


Pintou os cabelos de todas as cores do arco-íris. Fazia sozinha as tintas, se trancava no banheiro com o rolo de papel alumínio e pincéis, e saía de lá com cores novas. Aprendeu a rasgar as calças jeans, elegeu um all star preto como seu tênis preferido (tinha buracos na sola, e ela brigou comigo quando joguei fora…), e tinha seu jeito próprio de pintar os olhos enormes e rasgados.


Aprendeu a gostar de brechó comigo, entrar e sebo e procurar livros, porque algodão, seda e celulose demoram a gastar. Herdou a vontade de ser diferente do resto do mundo, e exercitar a criatividade com liberdade.


dar liberdade, sim


Dei liberdade. Me rendeu dores de cabeça, mas também doses de alegria. Aprendeu que não é preciso nascer em berço de ouro para fazer o que se quer da vida. Se assim fosse, seríamos todos frustrados cá em casa… 


Fez teste para um comercial para ser figurante; saiu como coadjuvante. Inventava moda, e foi convidada pra ser ‘personal stylist’ de um amigo. 


Não podendo pagar para assistir as peças   da escola de teatro - gratuita- que frequentava, ofereceu-se para fazer tapioca e ajudar na cantina. E sempre fuçava na internet aonde haveria programação “na faixa”.


Aliás, resolveu que queria ser atriz ainda menina. “Mãe, você acredita que um dia eu vou ser atriz?” Eu disse que sim. “E você vai deixar?”  Respondi que se dali a dois anos ela continuasse querendo ser atriz, a gente daria um jeito. 


Aos 14 anos ela trocou, de livre e espontânea vontade, a escola particular por uma pública, para que pudéssemos pagar a ela o curso de teatro. Decidiu fazer o curso a noite, com um grupo de adultos (ela era a mais nova), porque terminaria o teatro junto com o colegial. Da mesma forma, adiantou em um ano seu curso de inglês, lendo pocket books e escutando os filmes em inglês, como lhe recomendou a tia.



e se quiser ganhar o mundo...



Mas queria também ganhar o mundo. Começou a ver como faria um intercâmbio. Tentou para a Alemanha, mas teria que falar a língua; com o Rotary, só se fosse indicado por um membro. 


Um dia, mandou pra mim um e-mail, com o link para ver como funcionava o intercâmbio para a Irlanda. “Mãe, dá pra trabalhar lá, eu me sustento enquanto estudo”.


Para que a viagem acontecesse, juntou cada centavo de seu salário de jovem aprendiz, e depois, do seu emprego de final de ano. Contribuiu com 1/3 do valor de sua viagem. Com 17 anos…


Há quase 3 anos, essa garota determinada, que eu ainda tenho o costume de chamar de “minha filha” e que sempre soube que seria do mundo, pegou seu primeiro voo internacional para a terra dos Leprechauns. 


saudade, não!


Choramos, provavelmente, 5 minutos, antes dela embarcar. Não sofri porque ela iria embora, nem sofro agora porque ela não está aqui.


Saudade é palavra bonita, mas não cabe bem dentro da gente. Deixo-a para o dicionário. Cada vez que vejo suas fotos, seus posts em seu blog ou falo com ela através das modernidades que hoje existem, me sinto satisfeita. 


Em paz. Criei um ser que consegue desbravar o mundo e abrir seu caminho particular, entre parques, cliffs, e gaivotas. 


Saudade, não. Sinto é alegria, de ver a alegria do outro, distante, estampada no rosto e em tudo o que faz.



 




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