PRIMEIRO SEGREDO

Como lidar com o passado?

Você já parou para pensar em quanto tempo se perde revivendo eventos passados, voltando a sentir tudo o que foi vivido, muitas vezes em sofrimento e mágoa, ou numa saudade que angustia e não faz bem? Leia minha crônica abaixo, e vamos conversar sobre isto!

 
Há de se tocar somente com os olhos

 

O passado revira no presente, mas não podemos revisitá-lo, nem pisá-lo com os mesmos passos, calçando os mesmos sapatos gastos. Há de se pisar nele vestido de memórias, e, tão somente, tocá-lo com os olhos. Se mergulharmos em nós mesmos atrás de antigos fatos, depararemos com emoções caudalosas, que nos tragarão.

 

Evocações breves, nomes soltos no espaço, cenas antigas, sempre me fizeram voltar a espiar pelas janelas do tempo. Tentei, e tentei em vão, usar os mesmos sapatos para pisar aqueles ladrilhos vermelhos, usar minhas mãos para tocarem outras mãos novamente, sentir o plissado do vestido de seda amarela que me caia tão bem… mas faltava a carne, o vívido, o concreto.

 

Percebia que flutuava, e cada esforço para me colocar no chão era permeado de uma grande angústia. Dei-me conta, então, que quando estamos no passado somos fantasmas de nossa história: seres desencarnados querendo voltar para um corpo que não nos pertence, para uma emoção que não nos anima mais.

 

 

Nas evocações que me fazem voltar para o passado, redescobri a menina que um dia eu fui, fazendo buracos no morro de argila branca, amaciando-a com água e modelando-a em pequenos pássaros. Esta menina que não mais habito sorria sem abrir os lábios, para não mostrar a falta do dente faltando, e limpava as mãos de barro em sua roupa de sítio, chinelo nos dedos. O sol suave de outono lhe caía em cheio naquele cenário, junto com a brisa fresca que mexia em seus cabelos cacheados e seus olhos sorriam.

 

Nas evocações que me chamam para o passado, aquela menina se preparava com um vestido amarelo para dançar. Não sabia dar nome para a alegria que sentia, então vestia–se de delicadezas para o garotinho que a fazia sorrir, e o fazia sorrir também.

 

O passado revira no presente, e vejo a menina de mãos dadas com seu pai, se equilibrando na guia da calçada, descendo a ladeira rumo ao mar. A imensidão de areia branca, convidativa, as gaivotas que voavam em profusão, arremetendo no mar logo á frente, buscando seu pescado. E a menina, esta que eu fui, respirava fundo, falando sem parar, confiante, escorada pela figura ao lado.

 

Não posso mais pisar os mesmos passos, então flutuo. Não posso ser mais esta menina, então a contemplo. Não posso mais entrar dentro dela, mas a levo, intacta, aqui dentro, vestida de memórias, e tão somente a toco com os olhos…

 

Como lidar com o passado?

 

Nesta crônica falo de como lidar com o passado. Vamos entender aqui:

  1. Há de se tocar somente com os olhos – isto significa rever as cenas, mas não envolver-se com as emoções.
  2. Se mergulharmos em nós mesmos atrás de antigos fatos, depararemos com emoções caudalosas – para o nosso cérebro, quando relembramos uma cena é como se a vivêssemos novamente. O cérebro não diferencia o real do imaginário. Portanto, recordar momentos de tristeza, raiva, vergonha, dor e outras emoções negativas é como reviver no corpo tudo de novo: o stress, os hormônios liberados, a reação física. Para que, mesmo, sofrer duas vezes?
  3. Não posso ser mais esta menina, então a contemplo – quando tomamos consciência de que não devemos voltar às emoções do passado, podemos rever as cenas sem reviver as emoções.

 

 

Viva o presente. Permita-se desfrutar de cada momento hoje, para que, ao rememorar estes momentos, não tenha vontade de mudar nenhuma vírgula de lugar! 




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