PRIMEIRO SEGREDO

Como não assumir o Karma alheio

Quem aqui nunca escutou que devemos ajudar os outros? Ou que devemos ser bons, solícitos, educados com as outras pessoas? Acho que esta é uma lição que uma grande maioria deve ter recebido, seja em casa, na igreja, na escola, ou no convívio com mais velhos.

O que poucos escutaram, junto com estas orientações, é que ser bom, solícito, educado e prestar ajuda também tem limites. Sei disto, porque aprendi com a vida, e da pior forma. Sendo solícita e sem conseguir dizer “não” para as pessoas, passei muitos anos (mas MUITOS mesmo), ajudando ou tentando ajudar as pessoas – nem sempre com bons resultados.

 

Primeiro erro: tentar orientar a mudança do outro

O que significa tentar orientar a mudança no outro? Sou pós-graduada neste erro, e posso explicar direitinho. Sabe aquele amigo ou parente que sempre está mal – emocionalmente, amorosamente, financeiramente, profissionalmente etc – e que liga para você contando do problema?

Quando você quer orientar a mudança no outro, orienta, dá ideias para o outro sair do buraco, apresenta pessoas que podem ajudar, dá atalhos para que a pessoa se mexa. A pessoa escuta, e pode reagir de duas formas: contra argumenta o tempo todo, dizendo que é difícil e mostrando como para ela aquilo não se encaixa; ou se anima, e durante uma semana ou duas realiza o que você sugeriu ou orientou.

Porém, tanto  um como outro não quer, realmente, sair daquela situação. É nela que esta pessoa recebe atenção das outras, é paparicada, recebe telefonemas e palavras de apoio. É um “lugar” que parece amoroso, mas não é.

É um “buraco negro” emocional: quem ajuda é sugado energeticamente, e quem é ajudado não se sente completo, porque está buscando força no lugar errado, e continua se sentindo vazio, e pedindo mais e mais.

Sinais de que isto está acontecendo: telefonemas/visitas no mínimo semanais, tanto da pessoa que reclama das mazelas quanto de quem quer ajudar, reforçando um padrão de codependência.

 

Segundo erro: tentar ser a mudança no outro

Quando percebemos que aquela pessoa que a gente gosta não sai do lugar, temos duas opções: deixar que ela encontre seu próprio caminho ou ir tentar ajudar mais um pouquinho. Se você aprendeu que precisa ajudar os outros, com certeza ajudará mais um pouquinho!

Neste estágio, você já não aguenta ver a pessoa decaindo, e tenta ser a mudança, fazendo as coisas por ela. Estas pessoas que reclamam, como disse, adoram receber a atenção e a ajuda. Elas sabem manipular perfeitamente aqueles que aprenderam a ajudar, se doar, e não se dar limites.

Quando você perceber, poderá estar em diversas situações absurdas: fazendo faxina ou colocando ordem na casa, no jardim, no armário da pessoa; emprestando dinheiro, fazendo rifa para ajudar, mandando CV dela para seus amigos; fazendo compras, levando na delegacia, na vara da família ou qualquer outra função que não seria a sua; tomando responsabilidades com filhos, familiares, bichos e até com o jardim da outra pessoa!

Detalhe: você larga a sua casa, a sua família, os seus bichos e o seu jardim, para “colocar a mão na massa” para o outro. E aqui, é bom perceber: você faz isso porque é mais fácil lidar com o problema do outro do que com sua própria vida.

Sim, isso mesmo. Este padrão revela algo que custamos a enxergar e admitir: nossa vida também pode estar estagnada, ou precisando de reflexão e mudanças. Mas como não temos coragem de encarar nossos próprios problemas, é mais fácil ser “altruísta”, “caridoso”, “amoroso”, “solidário”, “sacrificando” (olha que lindo isso) nosso tempo com nossa família, nossa casa, nosso trabalho, nosso parceiro amoroso etc.

Como já disse, eu sou pós-graduada neste assunto. Fiz tudo isto que listei acima, e muito mais. Pintei apartamento, comprei roupa para criança que o pai não pagava pensão (e a mãe não acionava a justiça porque não queria); levava amiga idosa no mercado e a ajudava a cuidar do marido idoso (enquanto os filhos eram ausentes); arrumei clientes aos montes para amigas que não faziam sequer propaganda do próprio trabalho (e obviamente nunca tive uma indicação sequer para o meu); arrumava jardim, guarda-roupa, quarto de despejo, cozinha dos outros, achando que a pessoa ficaria “menos deprimida” num ambiente melhor. Ledo engano.

O que aprendi? Aprendi que, aqui, o buraco é mais embaixo: o nível de codependência energética é tal que as suas  próprias mudanças não acontecem, porque gastou toda sua força tentando “ser” a mudança do outro.

 

Satisfação momentânea, sem seu tempo de volta

Em ambos os casos, após ter terminado a sua boa ação, você se sentirá maravilhoso, com aquela sensação de dever cumprido, por ter ajudado outra pessoa. Como você é magnânimo! Como você se sacrifica! Deveria estar recebendo uma medalha, da Madre Teresa de Calcutá honorária.

Mas esta sensação vai durar pouco. Afinal, a pessoa que você tentou ajudar, em realidade não mudou nem um milímetro de lugar. Continua no mesmo padrão do que eu chamo “miséria emocional e energética”. E logo vai te procurar com a mesma mazela, ou inventar uma nova.

Quer se lembrar deste padrão? Cante aquela música: “Pense em mim, chore por mim, liga pra mim, não, não liga pra ele”…

Detalhe: o “ele”, da música pode ser facilmente substituído por “você mesmo”. Você está vivendo a vida alheia, desperdiçando o seu tempo de aprendizado e evolução pessoal com outra pessoa que não quer aprender e nem evoluir.

Teu tempo não será restituído. O que você fez será cobrado de você. E o preço a pagar é alto.

 

Assumir o karma alheio e seu preço

Aprendi, praticando ioga, que contraímos uma dívida séria quando assumimos o karma alheio.

Assumir o karma alheio é exatamente o que descrevi acima: tomar para si a responsabilidade de mudança do outro, com prejuízo em sua própria evolução pessoal. Isto não significa que você nunca mais irá ajudar alguém, ou que ajudar o próximo é algo ruim. Mas você tem que saber quando deve parar ou continuar.

Quando ajudamos alguém que está acomodado numa situação de vítima, recebendo ajuda em qualquer nível, e não fazendo nenhuma ação para mudar sua situação, nós tiramos desta pessoa a oportunidade de evolução pessoal, emocional, psicológica e espiritual.

Ao mesmo tempo, estamos tirando de nós mesmos a oportunidade de evolução, pois nos preocupamos e resolvemos problemas alheios, enquanto os nossos estão lá, nos esperando.

É como emprestar dinheiro para um amigo e ficar sem para pagar suas próprias contas. Ou como não comprar o seu arroz e feijão, e encher a despensa do outro. Parece caridade, mas não é. Parece sacrifício, mas não é. Parece desapego às coisas materiais, parece bonito, mas não é!

Se você trabalhou e ganhou seu dinheiro, ou podia comprar sua comida, foi porque você aprendeu um dia que aquilo era importante para viver. Quando você dá sem uma condição – é só este mês, depois terá que arranjar trabalho, por exemplo – você está desvalorizando a sua energia gasta para conquistar o que ganhou. Você não está grato com o que tem, na verdade. Você não dá valor ao que tem, e por isso dá para o outro.

Quando você dá valor ao que faz, ao seu tempo, aos frutos de seu trabalho (seja o dinheiro, uma boa família, sua comida no prato, seu teto), você sabe que a outra pessoa não pode receber isto “de graça”. Ela tem que aprender a se responsabilizar por si mesma, por suas ações e por sua falta de ações, por suas escolhas.

E ela só vai se responsabilizar se nós dermos espaço a ela. Espaço para que ela possa degustar  suas próprias escolhas, vivenciar a resposta que a vida, ou o universo lhe dão, de acordo com suas ações.

Como não assumir o karma alheio

Primeiro, aprenda a dizer NÃO. “você poderia me ajudar (com uma ideia, com alguma situação, com dinheiro)”?

Não, não posso.

Não, desculpe, mas estou ocupado trabalhando/ faxinando/cuidando de meus filhos…

Não, desculpe, mas meu capital está todo comprometido.

Não, desculpe, mas já tenho compromisso.

Não desculpe, mas este problema não é meu.

Parece duro para você? Pior será criar uma dependência com alguém que não quer mudar, só se alimentar da energia do outro, sem se responsabilizar por sua própria vida.

 

Como posso ajudar os outros sem assumir o karma alheio?

Você pode aconselhar, e esperar para ver as mudanças. Se elas acontecerem, esta pessoa é digna de ajuda.

Você pode exigir uma permuta. Estabeleça uma troca: eu só te ajudo se você fizer isto em troca.

Você pode oferecer sua ajuda profissional, mas a pessoa terá que te pagar por isto, para dar valor ao que recebe.

Verifique se a pessoa não poupa seus familiares e “abusa” dos amigos. Lembre-se: ser amigo não é ser pai nem mãe do outro, nem filho ou filha, nem parceiro amoroso. Assuma seu papel, ou ganhe o karma alheio de presente.

Dentro da família, atenha-se ao seu papel em relação ao outro. Pais tem autoridade SIM sobre os filhos, mesmo sendo amigos. Irmãos NÃO DEVEM FAZER papel de pais de seus irmãos. Filhos NÃO DEVEM ASSUMIR o papel de pai ou mãe ausente/ faltante/ falecido. Cada um no seu papel, para haver integridade emocional.

E aprenda: você não é a “palmatória do mundo”. Não está aqui para salvar e ajudar  a todos que passarem na sua frente. Cada um tem que começar por si mesmo. Cuide de seus problemas, seus “defeitos”, sua família – cônjuge, filhos – e se este dever de casa estiver bem feito, aí estenda seu raio de ação. Quando você souber dar valor pelo trabalho que tem feito internamente, saberá que cada ser humano precisa passar por esta mesma experiência para crescer.




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