PRIMEIRO SEGREDO

O MUNDO COMEÇA NO NOSSO QUINTAL

Há alguns anos atrás uma amiga querida me enviava alguns e-mails com belíssimas imagens e mensagens, ou notícias de todo o mundo. Num curto período de uma semana, porém, ela me enviou dois e-mails que me fizeram pensar.

Primeiro, um “PDF” falando dos primeiros banqueiros, os Rostchild, e datando ao longo dos séculos como continuam a frente das maiores instituições financeiras, fomentando guerras para poder financiá-las. Também me enviou um vídeo sobre o Islã, sobre a Sharia, e como os muçulmanos impunham seu modo de vida quando moram em outros países. Ela escreveu a todos os amigos que concordando ou não com o que era relatado, achava interessante conhecer todos os lados de um assunto. Mas os textos e imagens eram tão chocantes, que me causaram um forte impacto.

Foi quando lhe escrevi um e-mail, que reproduzo na íntegra aqui, com uma reflexão  necessária.

Querida amiga X,

 Vi o vídeo hoje; ontem li metade do livro falando sobre os Rostchild. É perturbador entrar em contato com todas estas informações, pois a sensação é de estarmos num beco sem saída. Como conseguiríamos colocar estas diferentes raças/culturas em seus devidos lugares, a não ser com mais matança e ódio por eles? 

E quem nos garante que tudo o que lemos também não é manipulado para que sintamos ódio por todos eles? Somos todos parciais e defensores do nosso status quo. Cada um defende a sua própria verdade, de acordo com sua própria evolução pessoal. E as pessoas não estão reunidas por acaso neste ou naquele grupo étnico, religioso, etc. São os semelhantes que se atraem.

Dentro desta globalização de informações, tenho uma lembrança que me faz rir sempre. Há alguns anos, minha sogra - japonesa  - não assistia noticiários brasileiros, mas assistia NHK (canal de TV japonês) diariamente. Comentou num almoço, aqui em casa, que estava preocupadíssima com a reprodução acelerada dos brotos de bambu...no Japão! Sofria por uma situação da qual não participava. Vivia (e vive) tão fora da realidade brasileira que não sabe nem comer arroz com feijão e uma farofinha. E precisa ir a Liberdade toda semana para reabastecer a despensa!

Agora imagine que nós estamos nos angustiando com o que ocorre em outras plagas, enquanto não conseguimos sequer ir visitar o orfanato ao lado semanalmente, para ler um livro para crianças carentes de tudo. Estamos nos preocupando com algo que pode, talvez, nos afetar financeiramente, se houver algum embargo comercial, mas nada com o qual já não estejamos acostumados. Afinal, pagamos impostos para tudo e não recebemos nada em troca (nem educação, nem saúde, nem estradas, nem polícia, nem...)

Ficamos chocados com a Sharia, mas convivemos pacificamente com polícia que é bandido, com grupos de extermínio, padres violando criancinhas, mulheres e idosos sendo violentados e intimidados. 

Você sabia que se você for (como eu fui), com uma idosa a uma delegacia para pedir ajuda com um familiar que está se tornando agressivo e ameaçador, o policial irá rir da tua cara? Ele dirá que não pode fazer nada, a não ser que “aconteça alguma coisa”  - leia-se matar, bater ou estuprar, por exemplo. A delegacia do idoso é uma farsa, a da mulher também. 

Não nos indignamos com nada disto, porque ninguém nos informa. Mas nos importamos com o desrespeito idêntico que ocorre do outro lado do globo. Aqui não fazemos nada, e do outro lado também não o faremos, porque lá não vivemos.

A caridade começa em casa

que aprendi é que a máxima “a caridade começa em casa” é abrangente em vários aspectos. Se ensinarmos aos nossos filhos a serem gente, e aos nossos vizinhos o que é ser ético (através do exemplo), com certeza já estamos fazendo algo. 

Se ensinarmos aos pequenos que a roupa que não serve irá para os pobres, que o brinquedo deve ser conservado, para poder ir inteiro para a próxima criança, já estamos começando um movimento. Se separarmos o lixo reciclável em seus devidos lugares ao invés de jogar a sacola com tudo misturado em qualquer um dos conteineres, já estamos dando o exemplo. Os movimentos reais são pequenos, como a pedrinha que faz um círculo ao cair na água. Este círculo irá se propagar.

Cuidar com o que se propaga 

Mas há círculos que, eu acho, não devem se propagar. O da desconfiança pelos semelhantes é um deles. Eu não sei o que falam de mim, ou de nós, mas na verdade, pouco importa. Se vierem me atacar, aí eu vou me defender, mas caso contrário, todos são homens e mulheres, pais e filhos, e importam para alguém. Tem sentimentos. E só conhecem aquele código cultural, Para eles, nós os amedrontamos, assim como eles nos amedrontam.

Vou te dar um exemplo. Nós ganhamos um periquito aqui em casa. Ele é criado solto, vai e vem da gaiola quando quer. Quando escuta a porta da casa abrir, corre para o nosso ombro, canta na nossa orelha, e mordisca de leve, como se desse beijinhos. Outro dia uma amiga minha o conheceu e ficou espantada. Disse que nunca em sua vida tinha visto um periquito domesticado, pois eles são ariscos e agressivos! 

Eu lhe respondi que, como eu era ignorante da impossibilidade de domesticá-lo, domestiquei. Como não sabia que era agressivo, lhe dei carinho, e ele retribuiu. Como não sabia que era arisco, brinquei com ele e lhe dei de comer na mão. Sem os pré-conceitos conseguimos nos relacionar plenamente.

Se eu tivesse analisado como era a formação social japonesa, nunca teria me casado com um descendente. Às vezes a inexperiência e a ignorância enriquecem as nossas vidas...Vamos ler estas informações, sempre, mas vamos também buscar informações no primeiro quilômetro que nos rodeia. Acho que este movimento, sim, deveria ser propagado.

Afinal, se pensarmos bem, o mundo começa no nosso quintal.

Esta foi minha carta à minha amiga. E agora pergunto à você: 

E no seu mundo, no raio de um quilômetro de sua casa, no que você pode ajudar e ser agente de mudanças? 

 





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