PRIMEIRO SEGREDO

A dor de Dora e uma partida

Já faziam dois dias que Dora tinha voltado da acupunturista, e não conseguia esquecer do questionário estranho. Ela entrou dizendo que tinha uma dor incessante no pescoço, que a impedia de virá-lo, e que seu médico a havia recomendado.

A profissional balançou a cabeça, e depois de fazer alguns exames físicos e olhar sua língua, já inserindo as primeiras agulhas, perguntou:

“-quando começou esta dor no pescoço? Você consegue lembrar”?

Dora puxou pela memória, e disse que fazia quase um mês. A terapeuta perguntou então:

“- e o que aconteceu há quase um mês atrás, que te chateou ou contrariou”?

Dora se remexeu na maca. Na hora, veio a cena nítida na cabeça: Rebeca discutindo com ela (ou ela discutindo com Rebeca?) porque a filha havia feito a prova do ENEM, concorridíssima, para concorrer à uma bolsa para a Universidade de Coimbra, sem contar de seus planos para ela. Só havia contado para o ex-marido, um absurdo!

A terapeuta a escutava atentamente, e pedia para ela continuar a história.

“Pois é, doutora, como assim, minha filha planejou ir embora para Portugal, por mais de três anos, sem contar nada para mim? Fiquei indignada, sabia? Não tenho dormido bem desde aquele dia, tive falta de ar... e esta dor no pescoço que me incomoda demais!

Fiz tudo para esta menina! Quando o pai dela me deixou, eu vivia para ela e o trabalho. Nunca mais arranjei nem um companheiro, porque, sabe como é, com uma mocinha em casa...

E agora ela me diz, sem mais nem menos, que tem pontuação excelente no ENEM, e ao invés de entrar numa universidade aqui mesmo, na nossa cidade, vai pros cafundós, pra Europa! E eu? Que eu faço da minha vida agora?”

A voz travou, Dora não conseguia mais falar. O pescoço começou a latejar mais, e a terapeuta perguntou-lhe:

“- dói aqui no meio do peito?”

- Ah, doutora, parece que tem é um BURACO aí no meio! Dói até para respirar. E não tenho vontade nem de levantar, fazer comida, nada... só levanto porque tenho que ir trabalhar, senão perco o emprego. Mas até minha chefe notou que eu estou diferente. Ela falou que eu estou com “ninho vazio” ou algo parecido.

- Você sabe o que é isso, Dora? Chama-se Síndrome do Ninho Vazio mesmo.

- Não tinha ouvido falar disso, não.

- Sindrome do Ninho Vazio é uma fase vivida, principalmente pelas mulheres (mas não só por ela, tá?), quando os filhos começam a se tornar independentes, e elas perdem a identidade de “mães” e “cuidadoras” destes filhos. Você me disse que desde que se separou só se dedicou à sua filha e ao trabalho, não é mesmo?

- Sim, depois que meu marido me deixou por aquela “outra”, minha vida gira em torno da Rebeca e do trabalho.

- e além disso, o que mais você faz, para se divertir, quero dizer?

- imagine, doutora, não sei o que é isto... faz tanto tempo que não me divirto, que até esqueci como é isso.

- interessante... O que você gostava de fazer quando era mais moça, Dora? Qual era teu passatempo, teu hobby?

Dora olhou para o teto, e não respondeu de imediato. Tentou se lembrar do que fazia, e só se via cuidando da filha pequena, fazendo vestidinhos para as bonecas, levando Rebeca no seu primeiro dia de escola, ou numa das poucas viagens que fizera com a filha e o marido, há tantos anos atrás. Um choro convulsivo começou , e Dora não conseguia dizer nada além de “Desculpe, doutora.” Estava se sentindo miserável. Perdida. Uma porcaria inútil.

A terapeuta estava ao seu lado. Segurou-lhe a mão, e disse:

-“chore à vontade, Dora. Coloque para fora esta dor. Imagino o que está sentindo, mas isto não precisa ser assim. Posso tentar uma técnica para você se acalmar um pouco”?

Dora acenou com a cabeça, e emitiu um sim baixinho, enquanto fungava.

A terapeuta pediu para que fechasse os olhos, e a conduziu por uma breve meditação. Aos poucos a respiração de Dora foi normalizando, ficando profunda, enquanto as lágrimas cessavam. Quando a profissional terminou a meditação e Dora abriu os olhos, uma sensação de alívio tinha substituído aquele vazio no meio do peito.

“- doutora, o que é foi isso? Não parece que sou eu mesma! Consegui ver a situação toda, como se não fosse nem minha vida, e enxergar de uma outra forma. Como pode isso?”

- Então, Dora, quando te conduzi na meditação, era este meu objetivo. Que pudesse ver além deste seu sofrimento e desta dor. Como te disse, não precisa ser assim sofrido, este momento tão especial entre você e sua filha. Vamos tirar as agulhinhas”?

Dora voltou para casa leve, com um sorriso estampado no rosto, e mal esperando a próxima sessão. Reparou que seu pescoço já doía menos! O que aquela terapeuta faria na próxima sessão?


*****


A semana passou rápido, e lá estava Dora na acupunturista de novo. O pescoço ainda incomodava, mas aquele aperto no meio do peito havia melhorado. E ela conseguiu conversar com a filha, e até com o ex-marido, para conseguir entender a situação racionalmente. Era o que acabava de contar para a profissional, que a escutava, atenta.

-que maravilha, Dora! mas ainda tem que se acostumar com esta novidade, não é? o seu pescoço está me dizendo isto…- e deu um sorriso para a paciente, enquanto colocava as agulhas.

- é, parece que sim. Ainda estou sem rumo, como se minha filha longe fosse me tirar a razão de viver. Que coisa, estes sentimentos da gente!

- Vou voltar a te perguntar: você pensou nesta semana no que gostava de fazer, o que era teu hobby? algo que você fazia além de trabalhar e cuidar de filha, que te deixava feliz, satisfeita?

- ah, doutora, cada pergunta! eu preciso mesmo lembrar?

- ah, Dora, você quer mesmo melhorar deste pescoço?

Riram as duas, e Dora falou:

-não lembro mesmo… e queria sinceramente poder ajudar minha filha agora, ao invés de ficar chateada com a partida dela. O pai dela já me disse que vai ajudar com passagens e estadia, até elogiou a forma como eu a criei, acredita?

- ok. quer fazer uma pequena meditação, novamente? acho que vai te ajudar.

-sim!

A terapeuta novamente conduziu Dora numa breve meditação. Desta vez, fez com que Dora imaginasse uma cena no futuro, feliz, dela e da filha. Dora respirava profundamente, e seu corpo ia relaxando na maca, sua expressão suavizou, e um sorriso podia ser visto no rosto.

Quando Dora voltou da meditação, estava muito leve, e tranquila, conforme relatou para a acupunturista. Lembrou-se de sua juventude, fazendo artesanato com a avó, que pintava peças de gesso e usava técnicas de douração, e como aquilo era prazeroso. Finalmente, havia acessado algo que era só dela.

Também na cena que projetou, se via visitando a filha, e as duas passeando juntas.

-nossa, foi a primeira vez que realmente senti e entendi a alegria de minha filha, de ter conseguido essa  oportunidade. e, nossa, meu pescoço… não está doendo!

-acho que podemos tirar as agulhas...percebeu como as emoções influenciam no nosso bem-estar?

- totalmente! e queria poder “domar” estas emoções, entender melhor isso, mas não sei como, com minha agenda apertada.

- entendo. Marcamos para a próxima semana?

- não consigo, doutora. Tenho um evento grande para organizar, semana que vem. Que droga. Logo agora que estou me sentindo melhor!

- Bem, não vamos estressar. Veja uma brecha em tua agenda, e depois me ligue, ok?

- ok!

Dora saiu satisfeita, por um lado, por estar sem dor e leve. Mas frustrada por não conseguir ter um tempo para si mesma, para se cuidar! como ela resolveria este problema?


****

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