PRIMEIRO SEGREDO

Cortando os cordões energéticos

Durante muitos anos – muitos mesmo, mais de 30 – tive o perfil de sofredora. Sofredor é aquele ser inconveniente, que reage por tudo o que lhe falam, sente-se vítima de tudo, e guarda para si todas as mágoas. Além disso, enche o saco de quem o ouve, contando todas as mazelas do mundo.

Não que as coisas não acontecessem, aconteciam, sim. Mas não sabia lidar com os fatos. Me importava demais com o que falavam sobre mim, o que pensavam de mim, se eu seria criticada. Cada crítica era uma facada.

Como consequência, durante muitos anos também não conseguia chegar ao fim de nenhum projeto, nem dar vida a nenhum sonho. Afinal, como eu lidaria com pessoas falando sobre mim, meu trabalho e tudo o mais?

Empacada como uma mula

Estava empacada como uma mula, no meio do nada da vida, realizando só o que fosse automático e me deixasse invisível aos olhos alheios, e, sinceramente, aos olhos do mundo, eu estava bem. Tinha um trabalho que me rendia um bom dinheiro, dois filhos e marido, empregada para cuidar da casa e das crianças, dois carros na garagem, e não tinha tempo para pensar em mim ou em meus sonhos. Estava perfeito.

Adoeci, e como já se foi a época do coitadismo, resumo aqui que tive um Lúpus que não matou a erva ruim. Defini a doença como “efeito de engolir muito sapo”, e aprendi muita coisa nos últimos anos. A pior doença foi a melhor coisa que me aconteceu na vida, de longe. Fui me desapegando de situações e pessoas  que me faziam mal, aprendi a dar limites, comecei a olhar para minha pessoa com mais complacência, e aceitar meus erros, tanto quanto meus sonhos.

Começando a correr atrás dos sonhos

Comecei a correr atrás de meus sonhos, mesmo ganhando menos. Tive que dispensar mordomias, apertar os cintos, mas aprendi a ir atrás do que queria fazer e ser. Publiquei livros, fiz novos amigos, mudei a estrutura da minha família, voltei a cantar, gravei minhas músicas, voltei a desenhar… enfim, hoje se alguém quiser me chamar de louca ou excêntrica, sinta-se a vontade.

Nestes últimos anos, tenho feito as mudanças no meu comportamento também para que meus filhos se espelhem no que faço, e saibam que podem ser e fazer o que quiserem, sem medo de críticas. Mas eu ainda não havia superado um problema: não podiam criticar meus filhos, o que faziam, e eu voltava para o padrão antigo de vítima.

Aprendendo a não absorver problemas...dos outros

Tive que trabalhar isto também em mim. Aprender a não absorver para mim os problemas deles. Como mãe aprendi que devo orientar os passos deles, defendê-los se eles ainda não souberem fazer isto sozinhos, e romper o cordão umbilical e energético com eles.

Até algum tempo atrás, o que faziam a eles faziam a mim. Eu sentia em mim o sofrimento, ou a vergonha ou a raiva, a humilhação. Trabalhava no emocional, e saía destruída de várias situações. Neste jogo, eu acabava reproduzindo as críticas dos outros, tentando fazer com que eles se amoldassem aos padrões de sociedade, para não ter que sofrer novamente com as críticas alheias.

Situações repetidas, ensinamento à vista

Hoje, depois de muito tempo, mais um teste apareceu para mim – porque as situações semelhantes se repetem, até que aprendamos com elas.  Eu escutei, ponderei, respondi, mas o meu sentimento continuou igual.  Não me doeu o estômago, não me apertou o peito, não me deu vontade de chorar, nem raiva. Nada. Falei o que era preciso, orientei o necessário, e saí de cena.

Percebi que havia cortado este cordão umbilical energético, e que não queria mais ter a responsabilidade pela ação de outra pessoa. Cansei de ser nocauteada por emoções que não me pertencem.

Hoje intacta, percebo o quanto todos perdemos com as ideias errôneas que se propagam de geração em geração. Ideias de desamor para consigo, como “morro por meu amor”, “morro por meus filhos”, “oh, o que farei sem meus pais?”, e todas estas dependências emocionais que dizem serem essenciais para o ser humano.

Criando seu porto seguro dentro de si mesmo

Quando as pessoas se vão – por escolha, porque crescem, ou porque morrem – não temos nada nosso que seja valioso, pois colocamos nossa felicidade inteirinha naquelas pessoas. Nunca fomos responsáveis por nossa alegria de viver, por nossos propósitos, nada. Ficamos vazios e depressivos porque não nos ensinaram a nos bastar, e usufruir da companhia dos nossos entes queridos e amigos sem depender deles como escora para nossas vidas.

Existe o amor, o carinho, o cuidado, claro. Mas a ligação energética é por prazer em estar junto, não por dependência. E continuamos a ter empatia pelo outro, enxergamos o outro. Mas enxergamos o outro ao mesmo tempo que nos enxergamos. É tão diferente!

E quando chegam as críticas, aprendemos a ponderar. Escutar, não reagir na hora, recebermos e avaliarmos se são corretas ou inválidas. E quando a crítica é para os seres que amamos, com quem compartilhamos a caminhada, aprendemos a fazer o mesmo. E quando damos o próximo passo, aprendemos a fazer mais.

Liberdade para mim e para quem me cerca

Damos a liberdade para quem amamos acertar e errar, porque já avisamos que existe ação e reação. E nos damos liberdade para não sofrermos mais se estes seres erram. Não trazemos para nós essas carga da reação que estão recebendo. Se precisar, estaremos aqui, mas inteiros energética e emocionalmente.

Quando deixamos de ser filhos de alguém, cônjuges de alguém,  pais de alguém, matamos este papel imposto e começamos a viver nossa vida com gosto. Ao lado das mesmas pessoas, mas com outro olhar, com leveza. Que assim seja.




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