PRIMEIRO SEGREDO

Autoconfiança e o medo

Será que a autoconfiança e o medo podem andar juntos? Quando pensamos que alguém tem medo, pensamos numa pessoa frágil, acuada. Até mesmo as imagens relacionadas ao medo trazem pessoas em posturas fragilizadas, vítimas deste sentimento.

 

Como podemos então relacionar a autoconfiança com o medo? Será possível que uma pessoa autoconfiante tem este sentimento?

Pois saiba: o indivíduo autoconfiante  tem medos,  sim, como todo mundo, aliás. O que difere é o modo como ele encara e enfrenta estes medos no dia a dia. Mas antes de falar disto, vamos entender de onde se origina o medo?


De onde vem o medo?


Para início de conversa, o medo é nosso amigo e camarada. Ele serve, originalmente, para a nossa autopreservação. Sem medo não temos noção do perigo. Isto, para preservação de uma espécie, é um desastre. Portanto, se você está aqui, é porque desenvolvemos este sentido aguçado de autopreservação.

Os animais também tem este instinto. O medo é ensinado de pai para filho. Já assistiram o filme infantil “Os Croods”? é uma aulinha bem interessante sobre o medo. Eu recomendo.

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Por que o medo nos atrapalha?


Aí está o problema: se o medo é benéfico,  a partir de quando ele começou a atrapalhar? Basicamente, quando ele começou a ser usado fora de hora. Somos bombardeados o tempo todo com notícias sobre violência, roubo, catástrofes naturais e causadas pelo homem. Também tem o medo da pobreza, da crise, de passar fome. Medo de perder o emprego ou não corresponder às expectativas dos outros.

Fale a verdade, você sai para andar na rua tranquilamente? Quando você fala com seu superior, ou com alguém que quer agradar, você se comporta naturalmente? Em dia de prova, teste ou concurso você fica super relaxado?

A não ser que você já esteja com seu emocional sob controle, todas estas situações vão te causar a sensação desconfortável do medo e suas derivadas (angústia, ansiedade…). Todas estas situações podem ser ameaçadoras para você em algum nível. Teu cérebro só capta que aquilo é “perigoso”, “ameaçador”, “algo a ser evitado”, porque foi isso que foi ensinado à ele.

Vamos entender o medo para depois poder trabalhar com ele? O medo trabalha em três níveis.

 

Físico

Este é o mais básico e instintivo. Assista um filme de terror, e com certeza seus pelos vão se arrepiar, seu coração acelerar, você vai prender a respiração numa cena de perigo ou suspense… e se o filme for bom mesmo, vai dar um grito de medo e levantar do sofá, pois a adrenalina está circulando como doida pelo corpo, e você está pronto para correr da ameaça (que não existe, e está dentro da tela!)

Todas estas sensações, também estão presentes quando um motivo real aciona o mecanismo de autopreservação: prender respiração, aumentar ritmo cardíaco,  tensionar a musculatura, suar as mãos, dar vontade de ir ao banheiro…  Ex: se um carro quase te atropela, se você for assaltado, se vivenciar um terremoto.

Mas o medo pode ser uma sensação que vem no corpo, de forma mais sutil, por motivos que não percebemos conscientemente. No corpo temos os 5 sentidos: audição, visão, tato, paladar, olfato. Eles podem trabalhar de uma forma não consciente, quando são ativados por memórias, lembranças ou informações. O resultado: uma situação não te agrada, você não está confortável, sem razão aparente. Isto pode acontecer por alguns motivos:

– algo no ambiente te recorda alguma situação desagradável e perigosa que você vivenciou no passado;

-algo no ambiente aciona um mecanismo de autopreservação, devido ao bombardeio de informações que recebemos diariamente.

– algo no ambiente aciona um mecanismo de autopreservação, devido à informações que recebemos quando pequenos, e ficam gravadas no subconsciente.

Por exemplo, quem tem Síndrome do Pânico pode apresentar as sensações físicas de aperto no peito, falta de ar, taquicardia, sudorese nas mãos, tontura. Elas são desencadeadas por algum estímulo no ambiente, inconsciente para quem sofre com este mal.

A sensação à nível físico imediatamente desencadeia um sentimento.

 

Sentimento

É neste momento que aparecem os sentimentos de medo, angústia, ansiedade. Mesmo que a pessoa não saiba o que está causando isto,  o sentimento desagradável vem  e gera automaticamente um pensamento.

 

Pensamento

O pensamento é a elaboração de um fato que está acontecendo. Mas esta elaboração, mais de 90% das vezes, acontece de forma automática. A elaboração parte de um condicionamento que temos, devido à aprendizados anteriores, ao longo da vida. Situações parecidas ou repetidas formam caminhos neuronais relacionado com o sentimento e a sensação física desencadeantes. Estes caminhos neuronais é que são as respostas automáticas à determinados estímulos.

Mas cada um tem uma “leitura” diferente sobre a mesma situação. Portanto, a mesma sensação e sentimento, em diferentes pessoas, vai trazer à tona pensamentos completamente diferentes!

Quer um exemplo? Se uma pessoa que acredita em sexto sentido sentir um aperto no peito, pode pensar que está acontecendo algo com alguém que ama, como seus filhos, seu cônjuge…

Já uma pessoa que tem medo de morrer, possui histórico familiar de doença cardíaca, pode achar que está tendo um princípio de enfarto!

O que nós pensamos é condicionado por repetição. A repetição vem de alguns medos que nós temos. Se o nosso medo é relacionado à integridade de outras pessoas, se é relacionada à nossa própria integridade, cada caso origina um cadeia de pensamentos diferente.

 

Quando a ameaça é outra…


Existem outras situações que nos ameaçam, e não é a ameaça à nossa integridade física. Estes medos podem ser relacionados à nossa integridade mental, emocional, moral, ética… Não precisa ir longe para dar exemplos: podemos ter medo de sermos considerados desonestos, manipuladores, loucos, desequilibrados, injustos, incompetentes, incapazes. São medos que aparecem quando percebemos que  podemos ou estamos sendo julgados/testados.

Quando percebemos, da forma inconsciente, que estamos sendo testados, as sensações físicas de medo podem se manifestar no corpo. Em seguida, pode vir o sentimento de angústia, ansiedade, medo.

Por exemplo: se alguém começar a te fazer um monte de perguntas, você pode começar a se sentir incomodado. Inconscientemente, você já percebeu que está sendo testado. Aquilo para você não é agradável, você percebe que suas mãos estão suando. Aí  vem o sentimento de ansiedade associado.

Se você não capta o motivo desta “reação em cadeia” na hora, talvez comece a se sentir inseguro. Talvez você se sinta ameaçado, e comece a ser reativo, respondendo grosseiramente à pessoa. Ou talvez você comece a passar mal, e tenha que correr para o banheiro mais próximo. Tudo é possível!

 

Indivíduo autoconfiante, situação sob controle


A sensação e o sentimento iniciais, por serem inconscientes, são mais difíceis de serem controlados. Mas a reação que você terá quanto a isto, você pode aprender a controlar como faz uma pessoa autoconfiante.

O  indivíduo autoconfiante consegue controlar exatamente esta reação, esta resposta. Se tiver alguma sensação desencadeada pelo ambiente e em seguida vier o sentimento de medo, angústia, ansiedade, ele não se deixa dominar por isto. E é por isto que ele age de forma consciente e racional.

No exemplo da pessoa que que está sendo testada, ele percebe que  este é o motivo do desconforto. Percebendo, ele relaxa e responde a todo o questionamento de forma racional e tranquila. O motivo disto é: quem está com dúvidas em relação a ele é a pessoa que questiona. E isto é problema dela. Ele sabe quem ele é, qual a própria capacidade, e não tem com que se preocupar.

 

 

Exercício para controlar o medo


Quando você percebe que está com as sensações físicas de medo (coração acelerado, respiração alterada, suando, tensão no corpo) mas ainda não sabe o que desencadeou, faça  o seguinte:

  • Fundamental: respire pausadamente. Vá inspirando em 4 tempos, segure o ar, solte-o devagar, em outros 4 tempos. Desta forma você já começa a diminuir o ritmo cardíaco;
  • Comece a reparar no que está acontecendo à sua volta. O que pode estar te incomodando? Um som específico? Alguma coisa que alguém está falando, ou a forma com que está falando? Uma cena que você está vendo, ou a forma como alguém ou um grupo está se comportando ou olhando? Algum odor diferente, que possa te lembrar algo? Ou alguma sensação tátil diferente, como alguém “pegajoso”, por exemplo?
  • Tente ver se é alguma situação de perigo real (integridade física ameaçada) ou perigo á nível de um teste/julgamento.
  • Se o perigo for à nível real, obviamente, faça o favor de sair do ambiente ou situação.
  • Se o perigo for somente à nível emocional, continue respirando fundo, escute o que a pessoa ou grupo está dizendo, perceba o que te incomodou. Perceba por que um questionamento, um teste, ou um julgamento de seu interlocutor pode estar te ameaçando.
  • Na hora se pergunte: 
  • -o que esta pessoa/ grupo pensa de mim é importante/ real/relevante/ ou verdade? 
  • -Preciso responder à isto? 
  • -é melhor eu observar e só responder o necessário? 
  • -Eu preciso provar algo para esta(s) pessoa(s), a nível moral, ético, emocional ou mental?


Relaxe, não seja reativo, atirando respostas de qualquer maneira e sem pensar. Continue respirando fundo, use o seu melhor sorriso de Monalisa, e coloque o medo, ansiedade ou angústia para dormirem!

 A diferença, quando você se conhece, é que consegue driblar os seus medos, porque entra no racional. Desta forma, você age de forma consciente e seguro de si mesmo. Estas são as características de quem tem autoconfiança. 

Vamos treinar?

 

 




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